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Poema das Migalhas

 

Nesta guerra de homens e insetos, permitirei declarar-me em um minuto de arrogância. Pois estou farto do incomodo e da petulância. A dessas moscas e mosquitos que vivem a zumbizar no meu ouvido. Eles são inofensivos, mas não cansam de se lamentar. Seu lamento é continuo e irritante, um barulhinho insistente e sem sentido. Aquela lamúria chata de som insosso e abusivo.

Das migalhas eles vivem. Incomodar é seu esporte favorito. Não vêem em si importância ou força para a própria realização. Vivem nas sombras, em lugares úmidos e fedorentos.

E assim pairam e perambulam, sempre à sombra e dependência dos animais de grande porte. Alguns dependem até do sangue alheio, pois nem o seu próprio lhe dá nutrientes suficientes para viver.

Estes insetos irritantes, minúsculos e insignificantes, julgam que seu zumbido é deveras relevante. Ao tomar uma ou outra chicotada do rabo do cavalo – pois esse se quer lhes acha dignos para oferecer-lhes o coice – acreditam que despertaram do alazão grande interesse. Mas apenas seu desprezo prevalece.

Viver medíocre e digno de piedade. Os pobres insetos incomodam para encontrar quem lhes dê alguma atenção. Desejam conquistar os demais animais com a luz, o brilho e a simpatia de um rinoceronte velho e manco, obeso e no fim de seus dias.

Quem sabe se fossem humildes? Quem sabe se tais insetos soubessem conquistar ou invés de irritar? Se talvez houvesse neles algum conteúdo interessante ao invés daquele zumbido apavorante. Eles “falam” demais, mas nada dizem.

As vezes os homens agem como estes insetos. Porém com uma grande diferença. Aqueles estão fadados a viverem e morrerem como moscas e mosquitos insignificantes, mas nós temos escolha.

Podemos ser mais do que pobres “sombras” e deixar o sangue das outras criaturas para viver do nosso – ele é suficiente para nos dar uma vida plena e abundante.

Nós, quando pequenos, o somos por escolha. E isso nos faz menor que eles, os insetos, que nem ao menos podem mudar seu destino.

Poderíamos viver em um castelo de harmonia e paz, mas às vezes escolhemos a masmorra dos impulsos, do desequilíbrio, do egoísmo e da frustração.

Podemos escolher o amor, o caráter, a compreensão, as boas ações e as melhores virtudes – nobres alimentos para a alma! Ou podemos nos contentar com a inveja, o ódio, o desejo insano pelo mal do próximo, a mentira e os piores defeitos – venenos de efeitos dolorosos.

É nesse momento, no das boas escolhas, que a rastejante lagarta entra em seu casulo para se tornar uma livre borboleta. Ou que, no momento das más escolhas, um parasita se abriga no intestino de outro animal para viver dos restos de sua pútrida digestão.

Insetos irritantes podem até incomodar bastante. E, às vezes, podem até adoecer a vítima de suas minúsculas picadas. Mas nada que um bom repouso, um comprimido e um ventilador vagabundo não possam resolver. Afinal a força deles é tamanha que até mesmo uma brisa os pode levar para longe e eles não perduram por mais que um breve amanhecer.

Resistamos aos insetos e tenhamos paciência com eles. Afinal, a vida nos reserva as melhores coisas, enquanto a eles têm a oferecer apenas as migalhas que caem de nossas mesas.

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