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Homem – O Guerreiro Solitário

À muitos a vida ensinou que homem de verdade segura o boi pelo chifre, derruba e laça – sem a ajuda de ninguém! Afinal, homem de verdade é forte, viril, bem sucedido, maduro, provedor, fiel, amigo, inteligente, trabalhador, responsável, bom filho, bom marido e bom pai (só pra começar). Homem de verdade é aquele que todos respeitam e confiam. Aquele que as mulheres querem para ter um compromisso duradouro. É o funcionário ideal, o melhor amigo, o amante mais desejado e um verdadeiro exemplo para todos.

Que homem não quer ser “o homem de verdade”? Até mesmo no meio do crime se vê homens se esforçando para serem reconhecidos como esse homem. Mesmo que esteja inserido num contexto de extrema violência, como ocorre no tráfico de drogas e nas milícias, vemos homens que lutam para se afirmarem como os mais destacadas, demonstrando serem fortes, corajosos e possuidores das várias das características já citadas. Cometem crimes e atos de violência contra seus “inimigos”, porém muitos ainda mantém relação amistosa e são amados por amigos e familiares – podem até serem chamados de exemplos por muitos. Observe como, com frequência, criminosos são moralmente defendidos por amigos e familiares, os quais alegam serem “bons homens”. Relatos parciais? Certamente! Mas, será que é um relato falso ou essas pessoas realmente acreditam no que dizem?

O fato é que muitos homens, desde cidadãos honestos até criminosos procurados, ainda lutam com unhas e dentes para apresentar a sociedade, dentro do contexto em que se encontram, o modelo esperado deles como figura masculina e como figura de poder. Parte disso vem do instinto natural, outra parte do estímulo cultural. De qualquer forma, estou aqui para dizer que ser homem não é tão fácil como muitos acreditam.

Desde cedo é preciso provar-se e lutar por respeito. O tempo todo. Desde que deixamos a primeira infância os desafios se apresentam e somos cobrados como tal. O objetivo aqui não é produzir uma queixa, algum tipo de “texto mimizento”, mas de trazer a discussão para a mesa e compreender até que ponto certos aspectos desse traço, ora instintivo/natural, ora cultural, são saudáveis para o indivíduo e para a sociedade.

Quando um homem, lapidado por estas pressões, amadurece e se torna mais forte para as intempéries da vida, estamos diante da parte positiva do processo. Mas quando um homem se deprime, se encolhe e começa a acreditar que não é bom o suficiente, muitas vezes desistindo dos sonhos e objetivos e até mesmo cometendo suicídio, então entendemos que o desafio foi grande demais para ele – porém, é tarde demais.

Reflita, por exemplo, por quê mulheres, em geral, cuidam bem melhor da própria saúde do que homens? Elas têm bem menos dificuldades para assumir fraquezas e buscar ajuda. Para muitos homens, algo simples como ir a um médico, já pode ser considerado uma fraqueza. Grande parte dos homens acredita que precisa suportar calados as dores, os sofrimentos e até mesmo as doenças. Isso é realmente lamentável, pois não passa de uma espécie de sufrágio. É um sofrimento vão, totalmente desnecessário e sem sentido.

Já experimentou dizer a um homem que ele precisa ir a um psicólogo ou um psiquiatra, por exemplo? Eu já fiz isso muitas vezes e posso afirmar: a resistência é algo realmente impressionante! A reação é muito diferente quando falamos a mesma coisa para as mulheres. A maioria dos homens parece acreditar que precisa ser capaz de resolver seus problemas com “atitude” e/ou “força de vontade”. Mas, adivinha? Força de vontade não pode curar doenças. Da mesma forma que ela não pode consertar um osso quebrado, nem curar uma simples gripe, ela também não pode curar uma depressão, por exemplo.

Contudo, homens de várias idades e diversos níveis culturais e sociais continuam acreditando que é uma espécie de humilhação entrar em um consultório médico para falar de seus problemas. Eles se sentem diminuídos, derrotados, pequenos e isso trás à tona sua humanidade. Acontece que fomos ensinados a sermos mais que humanos e acreditamos que devemos ser assim – embora isso sequer seja possível.

Sim, nós precisamos falar disso. Homens, assim como mulheres, compõem a sociedade/civilização humana. Ambos são essenciais para o funcionamento do mundo como o conhecemos. Se quisermos um futuro melhor para nós e para nossos filhos, precisamos ser mais empáticos com nossos homens. Este é um pedido de ajuda à todos.

São necessárias conscientização de nossa parte (homens) e apoio de nossas companheiras (mulheres). O mundo funciona muito bem quando essas duas potencias se unem em torno de uma causa comum.

Homens precisam aprender a lidar com suas fraquezas e a entender que certas atitudes são, na verdade, a expressão da sua maturidade e sabedoria. Reconhecer limites, admitir que não sabe, buscar aprender coisas novas, pedir ajuda e ir ao médico com frequência não torna um homem menor do que ele é. Essas são atitudes que, pelo contrário, ajudam qualquer pessoa a evoluir, a tornar-se maior.

Trazendo de volta a velha metáfora: um copo cheio não pode receber conteúdo novo. Se você acha que sabe tudo, não consegue aprender nada e, consequentemente, não pode crescer como pessoa. Se você acha que tudo é demonstração de fraqueza, seu caminho rumo ao crescimento pessoal será bastante limitado ou até totalmente impedido, pois alguém que acredita ser tão forte, não encontra espaço e oportunidade para se fortalecer ainda mais (talvez, nem vontade).

A humildade é o primeiro passo para o aprendizado. Uma pessoa se coloca na condição de aluno quando reconhece que seu conhecimento é pequeno e precisa aumentar. Esse aluno só começa a aprender de verdade quando ele reconhece o outro como autoridade intelectual sobre ele, cala sua voz interior e começa a prestar atenção no que é ensinado.

Pessoas que querem se reafirmar o tempo todo, que acreditam precisar demonstrar força constantemente, que não busca conhecer e reconhecer suas fraquezas, não conseguem evoluir. Geralmente pessoas assim tornam-se arrogantes, amargas e frustradas. Isso trás sentimentos negativos que afasta a pessoa da realidade e a torna péssima companhia. Esse cenário pode levar a solidão, a decadência e até a uma depressão profunda.

A verdade é que, hoje, ninguém quer um machão por perto para nada. Um homem forte, confiável, seguro.. isso sim é desejável. Mas não um homem incapaz de refletir, de reconhecer erros, de pedir desculpas e que não procura tornar-se uma pessoa melhor. Isso não é fraqueza, é evolução – a verdadeira força.

Hoje vemos dois tipos de homens que temo serem os predominantes. O primeiro é o machão, aquele de que falei na maior parte deste texto. Insensível, intratável e rígido em quase tudo. O segundo é o “desconstruído”, aquele igualmente chato e problemático, porém com um viés de extremo oposto, que pede até perdão por ter nascido homem, algo patético e ridículo. Mas existe a terceira via e, essa sim, é o equilíbrio entre o ogro e o maricas (não me refiro a homoafetividade, não sou homofóbico). A terceira via é o homem que encontrou o equilíbrio entre manter os valores tradicionais ou conservadores, mas sem se tornar um completo homem das cavernas. Alguém com sensibilidade e bom senso apurados, que evoluiu a ponto de fazer jus ao termo “homo sapiens”.

Duas das principais ferramentas para o crescimento pessoal são a reflexão e o diálogo. Precisamos muito mais disso entre nós, sociedade, e muito mais ainda entre nós, homens. Não me refiro a falar de política, futebol e religião. Refiro-me a falar sobre quem somos, sobre nosso papel no mundo, mas, principalmente, sobre nossas dores e dilemas no mundo em que vivemos, na chamada “era da informação e da inteligência artificial”.

Não precisamos mais sair pela savana ou pelas florestas com arco e flecha na mão ou pelos campos de batalha com espadas, machados, metralhadoras e canhões. Embora ainda existam muitas guerras no mundo, nada comparado a idade das trevas, se nos concentramos em buscar sabedoria e humanidade, talvez possamos resolver problemas como guerras e miséria por completo no longo prazo.

Ser homem é, acima de tudo, ser humano. As maiores forças do ser humano sempre foram a inteligência e a adaptabilidade. Precisamos nos concentrar em explorar essas duas potências com as quais nossa espécie foi abençoada por receber da natureza. Hoje ainda permitimos que pessoas mal intencionadas e com fome de poder manipulem as massas e se aproveitem da inocência dos mais frágeis. Enquanto lambemos as feridas de uma herança cultural mal resolvida e de instintos primários que nos impelem a atitudes imaturas, deixamos o mundo desprotegido e fracassamos em nossa missão mais básica: proteger nossas famílias e amigos.

Convido a todos para uma reflexão geral sobre valores morais, éticos e sobre o que é ser um homem nos dias atuais. Precisamos ultrapassar essas barreiras medíocres que nos amarram como se fôssemos poderosos elefantes que, adestrados, se deixam prender por frágeis cordões em qualquer pé de mesa. Esquecemos nossa verdadeira força e temos desviado nossa atenção para coisas inúteis e tolas. Enquanto isso, o mundo caminha para o caos, aquele “caos planejado” que favorece certas elites.

Cuidar da saúde é básico, ficar doente é normal, usar remédios é lançar mão de uma grande benção dada pela ciência, chorar de vez em quando é saudável e falar dos problemas/fraquezas é sinônimo de maturidade. Vamos evoluir e, talvez dessa forma, consigamos construir um mundo melhor para todos.

Seja homem, não seja tolo. Cuide-se, aprenda a conversar, refletir, pedir ajuda, compartilhar, ouvir, compreender o outro, pedir desculpas, cuidar da própria saúde, cuidar da aparência e a evoluir de um modo geral. Você não é uma máquina para agir segundo a programação de uma civilização do século retrasado. Também não é o Superman para precisar parecer invulnerável o tempo todo. Busque sabedoria e maturidade e você será muito recompensado nessa vida. Familiares e amigos verdadeiros agradecerão se você fizer isso.

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