A leitura fascina, encanta e transforma vidas!

+55 (21) 99182-9537

A Foice da Morte

 

Sinto o hálito quente da morte.
Quente como as fornalhas do inferno.
Ouço seu assovio quando passa por trás do meu ouvido,
Dá a volta em minha cabeça e alcança minhas narinas.

O cheiro forte de mil sepulcros é insuportável.
E ele enche minha alma de pavor e nojo.
Sua presença… a vejo mesmo de olhos fechados.
Apreciando a presa enquanto trama o fatídico golpe.

Sua foice em meu pescoço ela faz deslizar…
E admira a cada segundo… impar, especial.
Prolongam-se esses momentos até a eternidade.
O derradeiro suspiro esvazia o ar da terra.

Por minhas costas terríveis tramas.
E toda sutileza desse último e etério momento.
A beleza poética e mórbida do destino de todos nós.
Paira em trevas densas a alma despida.

Enquanto desliza a foice, a vítima divaga em retrospectivas.
O longo filme da vida deslumbra e entorpece a todos nós.
Prostrada, no chão, estagnada e indefesa.
Aguarda que sua cabeça role – inevitavelmente!

A morte, de pé, ostenta dominação e força.
A coisa, encolhida, há poucos segundos de perder a vida.
A cena, entenebriante, toma de assalto qualquer expectador.
O destino, insensível, conduz todos ao abismo.

O homem passa seus dias temendo esse último.
Nega-o, esconde-se… oprime a simples menção a ele.
Quem dera ao cordeiro defender-se de seu abatedor.
Quisera o filhote retaliar o predador. Não podem!

A morte geralmente cobre de suspense suas vítimas.
Antes do abate, a morte as leva a delirar.
Não é bastante morrer, é preciso que sofram.
É interessante que sintam escoar vagarosamente a vida.

Há, contudo, certa beleza nisso.
Nossa arrogância vê limite diante dela.
Nossa ambição encontra seu poder e cessa.
Nossas torres caem, nossos castelos ruem.

Diante dela todos somos sinceros, estamos nús.
Sua presença nos arrepia – fechamos os olhos bem apertados,
Mas podemos sentí-la tão tenebrosa quanto.
É impossível olhar a morte nos olhos e contemplar sua face.

Se o fizéssemos, contudo, encontraríamos nosso próprio semblante.
Como quem no espelho aplica à própria gargante afiada adaga.
Não veríamos um outros ser, mas nossa própria mão empunhando a foice.
Pois no fundo, o homem se mata a cada dia um pouco.

Ele é ao mesmo tempo o algóz e a vítima.
Empunha o próprio destino, trás pavor à própria alma,
Faz de sí um prisioneiro e desliza em seu próprio pescoço a foice.
Torturando a si mesmo enquanto trama seu final.

Search

Popular Posts

  • Clasificación de Texto con Deep Learning
    Clasificación de Texto con Deep Learning

    Data Science | Generative AI | Agentic AI | Analytics 💡 Introduccíon Este trabajo utiliza un notebook Python para realizar la clasificación de textos utilizando Deep Learning con algunas arquitecturas diferentes. Se recorrerá todo el proceso desde traer el dataset hasta proceder a dicha clasificación. Durante la actividad se llevarán a cabo muchos procesos como…

  • Por quê tantos projetos de IA falham?
    Por quê tantos projetos de IA falham?

    O artigo discute por que muitos projetos de IA fracassam, destacando fatores como baixa qualidade dos dados, falta de equipes especializadas e testes inadequados.

  • Homem – O Guerreiro Solitário
    Homem – O Guerreiro Solitário

    Ser homem é ser humano. Buscar sabedoria e maturidade é a verdadeira força. Seja homem, não seja tolo. Cuide-se e evolua.

Archives

Translate »